menu

 

conteudo


Segundo médicos do HU, taxa de mortalidade da gripe suína é igual às demais gripes


"Há mais ou menos oito mil anos, no período Neolítico, o homem aprendia as técnicas de agricultura e domesticação de animais. Assim, deixava de ser nômade para se fixar com seu grupo em um território, onde agora tinha alimento fácil ao seu alcance..." Leia o texto na íntegra.

"Há mais ou menos oito mil anos, no período Neolítico, o homem aprendia as técnicas de agricultura e domesticação de animais. Assim, deixava de ser nômade para se fixar com seu grupo em um território, onde agora tinha alimento fácil ao seu alcance. O convívio próximo aos animais, no entanto, facilitou a transmissão de doenças destes para os homens. Tuberculose, varíola e gripe passaram a ser enfermidades também humanas", contou o médico Paulo Lotufo, superintendente do Hospital Universitário (HU) da USP, em entrevista realizada nessa segunda-feira (3).

A história relatada por Lotufo serviu como gancho para apresentar um tema cada vez mais recorrente no cotidiano nacional, o temor em volta da gripe influenza A (H1N1), popularmente conhecida como gripe suína - que recebeu esse nome por ser resultado de uma recombinação entre vírus de gripes humanas, de aves e de porcos. Segundo os especialistas do HU, o nome, apesar de ter ganhado força, é incoerente, já que o consumo da carne de porco não transmite a doença.

O médico pediatra Alfredo Gilio, diretor da Clínica Pediátrica do HU, explicou que todas as gripes são provocadas pelo vírus influenza e se dividem nos tipos A, B e C. São doenças sazonais, cujos picos se dão principalmente no inverno, quando há mais aglomerações de pessoas em ambientes fechados. Todas têm índice de letalidade por volta de 0,3% - inclusive a influenza A (H1N1), ou gripe suína.

Segundo Gilio, o que explica o alarde em torno da doença é a alta taxa de transmissão entre humanos e a falta de anticorpos naturais do sistema imunológico contra o vírus, que é um microorganismo relativamente novo. “Mas é totalmente errada a ideia geral de que quem pega a doença acaba morrendo”, afirma o médico. “O que acontece é que na gripe suína, como em qualquer outra doença, existem casos mais graves que outros, geralmente relacionados a fatores de risco”.

Tais fatores, conforme enumera o médico Rodrigo Olmos, clínico geral e diretor da Divisão de Clínica Médica do HU, são doenças respiratórias como asma e bronquite, cardiopatias, diabetes, gestação ou idade avançada, ministração de medicamentos imunossupressores e o fato do paciente ter idade inferior a dois anos. Casos são considerados graves quando envolvem infecções respiratórias baixas – ou seja, dos pulmões. Olmos ainda explica que o vírus H1N1 facilita a entrada de agentes bacterianos causadores de pneumonias, o que pode levar a uma complicação do estado de saúde do paciente.

Em comparação à gripe aviária, causada pelo vírus H5N1, que teve surto registrado em 2003, os especialistas do HU explicam que a gripe suína tem maior taxa de transmissão, mas mortalidade menor. A transmissão do H5N1 ocorre pelo contato direto da ave com o indivíduo (como a inalação de fezes secas e pulverizadas, mas não pelo consumo) e, em seu auge, chegou a uma letalidade de 51,28%. Gilio ressalta que o H5N1 não está relacionado ao processo de recombinação que originou o H1N1.

A tendência, teoricamente, é que se crie, entre as populações, imunização contra o vírus da gripe suína. Segundo os especialistas do HU, trata-se de um processo rápido e, uma vez completado, a H1N1 pode se tornar sazonal, a exemplo de outros tipos de gripe. 

Procedimentos de prevenção
Os médicos do HU apontam a higienização correta e frequente das mãos, com água e sabão, como a medida preventiva mais eficiente a ser adotada pela população. O álcool em gel, segundo eles, também é extremamente eficaz, mas não há necessidade de uso fora das dependências hospitalares – o que vale, também, para as máscaras.

“Não existem estudos definindo o tamanho do benefício das máscaras”, explica o médico infectologista Fábio Franco, presidente da Comissão de Controle de Infecção Hospitalar do HU. “Dentro do Hospital Universitário, optamos pelo uso. Depois da triagem, os pacientes recebem máscaras. Entendemos que elas têm efeito psicológico de segurança e tranqüilidade para muitas pessoas, mas o uso fora do hospital não é nossa recomendação estrita”. Por outro lado, os especialistas são enfáticos ao afirmar que pessoas que apresentam qualquer um dos fatores de risco devem tomar maiores cuidados - evitando, principalmente, aglomerações.

Para reduzir os impactos de uma dessas aglomerações em especial, o convívio escolar, o recesso da rede estadual (com adesão facultativa de instituições particulares também) foi estendido por mais duas semanas, conforme recomendação da Secretaria de Estado da Saúde.

Segundo Rodrigo Olmos, a medida visa a reduzir o risco de transmissão do vírus em até 20%. “Em duas semanas, espera-se que o pico dessa transmissão já tenha passado”, afirma o médico, explicando o prazo estabelecido pelas autoridades de ensino. Para ele, esse também é um tempo importante para que os governos estruturem seus serviços de saúde: “a doença acontece e se espalha de forma tão rápida que o poder público não tem tempo de agir”, complementa Olmos. Ele afirma ainda que, se o momento mais crítico da gripe no Brasil não tivesse coincidido com o período de férias, as proporções e conseqüências da doença teriam sido mais amplas e graves.

Tratamento
Os três médicos do HU questionam a pertinência de uma das medidas previstas no protocolo do Ministério da Saúde. A recomendação é que o antiviral oseltamivir só seja ministrado nas primeiras 48 horas após o início dos sintomas. “Se temos casos que só se agravam depois de dois dias dos primeiros sintomas, não podemos abdicar do medicamento, que, por enquanto, é o que temos de mais eficaz no tratamento”, afirma Alfredo Gilio.

À parte os questionamentos acerca das medidas públicas e da cobertura da mídia, o médico Paulo Lotufo, superintendente do HU, defende que o grande mérito do Brasil no combate à gripe suína é a estrutura hospitalar, adequada ao tratamento de pacientes graves.

Fonte: www.usp.br




09/10/2009Resultado Final - Monitores em Saúde
05/10/2009Transferência Externa 2010
02/10/2009Gabarito da Prova de Monitores
13/08/2009Inscrições para Siicusp são prorrogadas até o dia 24
07/08/2009HC Criança lança campanha "Coloque seu nome na parede deste hospital"
06/08/2009Divulgação do novo site da Pró-Reitoria de Graduação
31/07/2009Cancelamento de recesso e data final das aulas
30/07/2009PEP 2008 | 2ª chamada
29/07/2009Adiamento do início das aulas na USP



 

Divulgação







 
 
Faculdade de Ciências Farmacêuticas de Ribeirão Preto da Universidade de São Paulo
Av. do Café, s/nº. - Monte Alegre- Ribeirão Preto - SP / Fone: (16) 3602.4181